Porque Facebooker Marc Zuckerberg resolveu aprender Mandarin
Luciana LúLìHuá é a aluna mais avançada aqui no intesivão de 1 ano na China. Tirou nota 100 no testes e só agora depois de 2 meses consegue falar “The book is on the table”. Tem coisa que não se consegue só com dinheiro, e aprender chinês é uma delas. Imersão total, 5 horas por dia na sala de aula, e muita bunda na cadeira repetindo pauzinho para depois de 1 ano arranhar um chinês com sotaque de laowài (老外 gringo).
2 meses de imersão aqui é o equivalente a 1 ano de curso de chinês tradicional no ocidente.
1 ano é o tempo que vai levar para Marc Zhuergbnd aprender falar “The Book is on the table”.
1 ano é muito tarde para o Facebook entrar na China.
Cada ano fora da China ele perde algumas dezenas de milhões de dólares.
Veja o porque:
A China em breve será a maior economia do mundo. O aumento no poder de consumo dos chineses convida as multi-nacionais a direcionarem suas verbas plucitárias para cá.
Quanto maior a penetração de Internet (em 4 anos pulará dos atuais 29% para 40%) maior serão os gastos com anúncios online. Na verdade isso já está acontecendo. Em 2009 advertising online cresceu 30% e até 2014 vai crescer um outro bom bocado. SEM tb vai crescer: 43% até 2014. Mais dados aqui.

Assim como aprender chinês, construir uma marca por aqui não se resolve apenas com dinheiro.
A questão é que para entrar aqui terá que obedecer ao estatuto do internauta e provedores de serviços que diz:
“…By law, content providers such as Web portals, search engines and blog-hosting sites are required to monitor and remove content the government finds undesirable. This type of information generally includes pornography but can also include politically sensitive topics, such as discussions of independence for Taiwan and Tibet as well as Falun Gong, a banned religious group….”
O Facebook tem 2 possíveis caminhos estratégicos de entrada:
A primeira seria querer bater de frente contra tudo e todos assim como o Google fez e deu com os burros n’água ao tentar rodar seu site sem colocar fisicamente servidor aqui, sem colocar dinheiro aqui, sem baixar a cabeça para o governo daqui. Um belo dia o governo chinês poderia mandar um SMS para Marc dizendo em chinês “Marquinho me passa todos os dados desses 50 usuários do facebook que estão falando mal do Tibet agora antes do almoço por favor.” Os usuários americanos do Facebook iriam fazer um verdadeiro levante MUITO maior do que aquele que rolou pouco tempo atrás sobre a privacidade e segurança dos dados.
Segunda opção e mais coerente seria não entrar com o serviço do Facebook e seguir o modelo de empresas como Microsoft, Yahoo, EBay e várias outras que já entraram por aqui comprando tudo que era pequeno e barato do mesmo ramo. Porém, a Internet da China já está anunciada na Nasdaq. Todo dia aparece uma. A internet da China está ficando cara. Em 1 ano a Internet da China será MUITO cara para qualquer um que queira entrar por aquisição de empresas locais.
Fora isso, nenhuma das estratégias acima resolve outro problema: Se facebook não é permitido na China ele dificilmente poderá ser realmente integrado à sistemas operacionais de celulares ou tablets. E isso significa estar à margem de outros grandes mercados no próprio ocidente.
Independente da escolha, alguma ação tem que ser tomada agora. Não dá para esperar Marquinho aprender chinês.














